sexta-feira, 19 de junho de 2009

Vamos de mal a pior


Hoje em dia, sobre a Educação, toda a gente tem opinião e todos falam como se tivessem um doutoramento sobre o assunto...e claro está, o mais fácil é culpar os professores!

Não se pode comparar a escola de hoje com a de ontem. Os alunos são outros, estão inseridos noutro contexto social e, consequentemente, têm outras características e necessidades.

Alguns (demasiados) alunos pertencem a famílias desestruturadas, não apenas pelo divórcio, mas essencialmente pela falta de disponibilidade de pelo menos um membro da família para os acompanhar no seu dia a dia. Assim, acabam por ficar entregues a si próprios, gozando de liberdade excessiva e sem qualquer responsabilidade. Ficam grande parte do seu tempo a devorar uma dieta mediática onde se apresentam crimes sem castigo e corrupção; assistem diáriamente ao falhanço absoluto da justiça; à acção de políticos ambiciosos e sem escrúpulos...etc.

Pois é, o exemplo devia vir de cima, mas com este menu diário e muitas vezes sem qualquer intervençao dos pais para compensar e equilibrar todo este absurdo, não há como exigir que eles possuam uma escala de valores que não se encontre invertida. A tudo isto, vem muitas vezes juntar-se um sentimento de culpa dos pais pelas suas ausências, por ambos terem horários de trabalho absorventes e incompatíveis com a vida familiar.

Infelizmente, este sentimento de culpa é frequentemente compensado com o fornecimento aos filhos de formas de entretenimento, tais como telemóveis, MP3 ou MP4, nintendos, playstations e toda uma parafernália, que mais não faz que os impedir de ter tempo para estudar, pois não têm forma de dosear-lhes o uso de coisas tao aliciantes. Assim, vão usando tudo isto indevidamente e em qualquer circunstância, incluindo na sala de aula se o professor nao se impuser.

De todo este desaire familiar e social resultam alunos desinteressados, preguiçosos e desmotivados que apenas esperam da parte do professor facilitismos. Reclamam de tudo o que lhes dê trabalho e não estao para "aturar sermões" de quem os procura chamar à realidade.

Não hajam ilusões, quando a família (pedra base de uma sociedade) falha, a criança/adolescente nao se sente motivada para o que quer que seja que lhe exija esforço e concentração. Precisa de um acompanhamento contínuo e persistente, de alguém que o motive para bons resultados escolares.

Da parte da escola deverá também haver um acompanhamento sério e persistente aos alunos, não permitindo que estes desistam do processo de aprendizagem. Ora para isso, não se pode pedir que o professor gaste todo o seu tempo com burocracias, ou a pensar na melhor forma de avaliar os seus colegas, a lutar por pontos e créditos para vagas de titulares...etc. Como já se disse acima, as características dos alunos são outras. Isto exige do professor novas competências, para as quais tem que se preparar pois não lhe foi dada qualquer formação para isso.
Estamos a perder o mais importante - a preocupação com o ENSINAR e com o EDUCAR para a construção de uma identidade sã - para nos dedicarmos a coisas sem sentido, seja na escola seja em família.

3 comentários:

  1. 21 valores ... quem dá mais ??

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  2. Perfeito, não acrescentava uma virgula. As pessoas falam sem conhecer a realidade escolar, os alunos de hoje não são nada fáceis e motivá-los é obra.
    Assino em baixo. E já que estamos em leilão, eu cubro e dou 100% (excelente, heheheh) esta foi de prof!

    FC

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