Num entardecer encantado caminhava pela areia. O andar ondulante assemelhava-se a uma dança e nos olhos bailava-lhe o verde do mar.
Aquela praia encantava-a!
O mar formava pequenas lagoas entre os bancos de coral, onde brincavam peixes coloridos. O seu fundo branco estava revestido de madepérola, das conchas que ali repousavam. Nos limites da areia as palmeiras fechavam o cenário, rodeadas de exuberante vegetação sobre a qual esvoaçavam borboletas com asas de ouro. Sentia-se nas margens do paraíso!
Era ali que as suas memórias surgiam, intactas e perfeitas, embaladas pela leve ondulação do mar. Aí sim, sentou-se na praia e permitiu-se recordar...
...recordar duas almas sedutoras e seduzidas. Momentos sublimes de prazer e doçura em noites de perdição. A loucura dos sentidos, as pernas enroladas e o acender do desejo. Recordou a vertigem de uma arritmia que surgia caprichosa, quando lábios quentes e macios lhe deslizavam na pele murmurando no seu ouvido segredos inconfessáveis. Mãos ávidas a percorrer o contorno dos corpos em ternas madrugadas, suspensas na sensualidade de uma dança de fogo. Corpos fundidos num sentir intenso e primitivo...
Mansamente, o canto do vento veio vigiar-lhe a alma ao anoitecer, acordando-a na esquina dos sonhos.
O mar veio com os seus dedos de espuma branca lavar-lhe mágoa e melancolia.
Fechou de novo as memórias no segredo de uma concha. Quem sabe um dia faria uma fogueira de lembranças e veria, vestido de fogo, o seu sonho morrer...naquela praia.
As memórias guardadas dentro de uma concha não serão nunca permeáveis ao fogo. A esse fogo incapaz de destruir sonhos feitos de mar.
ResponderEliminarA tua praia, um cenário encantador, criado pela belíssima descrição. Ao jeito de Sofhia de Mello...
Lindo!
Beijo
As conchas não se deixam arder e as memorias não se apagam.
ResponderEliminarLindo texto.
Lindíssima esta praia! Linda a tua descrição. Gostei da ideia das conchas guardadoras de segredos :D
ResponderEliminarManuela
Porque será que os pássaros
ResponderEliminarCantam na partida do dia
Porque será que um amante ausente
Fica de alma apertada, vazia?
Porque será que as ondas lamentam
Em sussuros de sal no areal
Porque será que as rezas são feitas
Para correr para o longe o perverso mal?
Boa semana
Doce beijo
Lindo texto! Delicado e profundo como as lembranças que teimam e permanecem.
ResponderEliminarBjs
Intenso e bonito!
ResponderEliminarAna Afonso
Olá amiga
ResponderEliminarO que temos aqui, sim o que aqui temos é um texto magnifico, que nos conta os segredos inconfessaveis de uma alma sensivel, e que nem o fogo destruirá, gosto particularmente da descrição da praia e das memória que guarda.
Parabens adorei.
Beijinho
Sempre uma surpresa deliciosa e um texto adorável!
ResponderEliminarQuando falamos em concha logo nos vem a sensação de proteção, de aconchego...adorei essa postagem!
ResponderEliminarBjos.
Waleria.
Memórias dessas são para guardar, não para queimar! E essa praia está excelente!!
ResponderEliminarFC
Sopro esta brisa que percorre as cumeeiras
ResponderEliminarE arrasto comigo este denso e frio nevoeiro
A noite envolve-me em seu escuro manto
Um milhafre soltou um grito derradeiro
O fogo surgiu do nada
A chama da paixão lambeu uma pedinte mão
Que levou o calor tatuado, abrasador a outra
Duas mãos postas, apontam ao divino uma oração
Na calada da noite despertam os sons
Mil olhos são estrelas na terra
O feitiço da Lua envolve os amantes
O amor tem como pano de fundo doce quimera
Voa comigo no feitiço do vento
Doce beijo
Olá!
ResponderEliminarEspero mais um dos teus contos fantásticos.
Fazes falta!
Beijinhos
Que lindo, belo e delicado texto.
ResponderEliminarDesejo a você e sua família uma linda noite natalina e para 2010 um ano de mais paz e realizações. E que seu blog continue nos encantando.
meu carinho
tais luso
Bom Natal!
ResponderEliminarUm beijo